Debate da Associação para o Progresso do Direito
Flexi-segurança: empresários, sindicalistas e juristas querem discutir modelo adequado a Portugal
20.06.2007 - 21h42Â Lusa
Empresários,
juristas e sindicalistas manifestaram opiniões diversas sobre o
conceito de flexi-segurança, mas todos foram unânimes em defender a
necessidade de debater amplamente a questão para tentar encontrar um
modelo que se adapte à realidade nacional.
O fiscalista Saldanha
Sanches — um dos oradores num debate promovido pela Associação para o
Progresso do Direito (APD) — falou sobretudo dos custos inerentes aos
desempregados e questionou se estes devem ser da responsabilidade das
empresas ou cobertos pelos impostos cobrados aos cidadãos.
Referiu
o caso da Dinamarca — paÃs que é tido como um exemplo de bom
funcionamento da flexi-segurança —, dizendo que naquele paÃs os
despedimentos são fáceis de fazer, mas as pensões pagas aos
desempregados são generosas, o que obriga a uma pesada carga fiscal.
Pouco
antes do inÃcio do debate, Saldanha Sanches disse aos jornalistas que a
flexi-segurança é aplicável a qualquer paÃs, desde que existam
condições que impeçam os abusos. "É uma questão polÃtica", disse.
Aplicação nacional considerada difÃcil
O
professor de Direito do Trabalho José João Abrantes também falou do
modelo dinamarquês, considerando difÃcil a sua aplicação em Portugal.
Salientou
que naquele paÃs a flexi-segurança tem como base polÃticas activas de
emprego e de formação que impedem que as pessoas estejam desempregadas
durante muito tempo e em simultâneo tem uma elevada protecção no
desemprego (com subsÃdios correspondentes a 90 por cento do último
salário, quando o salário médio é de dois mil euros).
Essa
situação obriga a uma pesada carga fiscal, mas que é cumprida por
todos, ao contrário do que acontece em Portugal, referiu o jurista.
"Em
Portugal tudo se passa ao contrário, há fuga ao fisco, os salários são
baixos, o subsÃdio de desemprego tende a baixar e os sindicatos são
subalternizados, assim como a contratação colectiva", afirmou.
José
João Abrantes considerou que, tanto em Portugal como no resto da
Europa, a ideia de flexi-segurança passa por flexibilizar os
despedimentos, os horários de trabalho e as categorias profissionais.
"O
próprio Livro Verde da Comissão Europeia defende a ideia de que os
direitos dos trabalhadores com emprego colidem com os direitos dos que
não têm emprego", disse, afirmando que "não se pode confundir
flexibilidade com precarização".
CGTP enfatiza necessidade de segurança
O
secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, que também
participou no debate, disse que o que está em causa no Livro Verde da
Comissão Europeia é a liberalização das relações de trabalho, "o que
levará à precariedade generalizada e à retirada de direitos aos
trabalhadores que ainda os têm".
Carvalho da Silva defendeu que
a flexi-segurança só pode ser aplicada com garantias de segurança para
os trabalhadores e será esse "o grande debate do momento".
Pedro
Sina da Silva, representante dos empresários no debate promovido pela
APD, disse que o mercado de trabalho português precisa da
flexi-segurança para combater a rigidez da legislação, mas defendeu que
as alterações devem ser feitas de forma gradual, depois de um amplo
debate, e mobilizar toda a sociedade.
"A flexi-segurança não é
gratuita e este é um momento difÃcil para a aplicar", disse, defendendo
que o conceito deveria ter sido introduzido numa altura com mais
emprego e mais desenvolvimento económico no paÃs.
Fonte: Jornal "O Público" de 23/06/07 - http://jornal.publico.clix.pt/
Share
|
Os membros ou visitantes não utilizarão o Portal da Vigilância para transmitir, comunicar ou difundir de qualquer forma, opiniões ou conteúdos ilegais, difamatórios, de lesa terceiros ou que de qualquer outro modo, atentem contra os valores do Portal ou a dignidade das pessoas.
Os comentários inseridos, são publicados com edição prévia (moderados), mas serão sempre da exclusiva responsabilidade dos seus autores.
A administração reserva-se ao direito de eliminar os comentários que não cumpram as regras das condições de utilização do Portal.
-- A Administração do Portal da Vigilância