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EDIFÍCIOS: DE RASTILHO OU PAVIO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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FracoBom 
Segunda, 09 Novembro 2009 22:11
incendio-edificioandorinhas.jpgHá crises e crises, mas uma coisa é certa, um dia a dita surge inopinadamente e alguém a tem de enfrentar com responsabilidade, porque a não ser assim, arriscam-se sérias consequências, à posteriori.

Tudo porque a maior parte das instituições são geridas em termos de segurança pelos chamados “Gabinetes de INSegurança”,  que na sua grande maioria, são dirigidos por indivíduos sem qualquer qualificação para o efeito, tendo chegado aí apenas porque o "PADRINHO" era ou é, pessoa importante no contexto do cenário vigente, sem no entanto perceberem seja o que fôr do assunto, disfarçando o seu desconhecimento sobre o tema, "pavoneando-se" por portarias e outros espaços, auto proclamando-se supra-sumos em segurança.
Normalmente os edifícios são designados pela estrutura em que estão inseridos, ou pela localização geográfica. MAS no nosso entender, muitos deles deveriam ter anexado ao nome a designação de perigo que lhes está conotada: Rastilho X ou Pavio Y, atribuídos conforme o grau de perigo ou volume de situações anómalas, que neles se verificam.

O mais grave é que quando as ocorrências surgem, estes ditos directores de segurança, não tendo a mínimo de capacidade reactiva, limitam-se apenas e após o ocorrido, a inventar desculpas e a opinar atarantadamente, numa tentativa de passar atestados de estupidez aos técnicos credenciados e com muitos anos de terreno, aqueles que afinal, foram quem encontrou a melhor solução.

E mais! estes  senhores, para além de não saberem do que falam, também não ouvem ninguém, limitando-se a inventar, pura e simplesmente, como se um bom conselho ou informação técnica, os contaminasse perigosamente.

No final, a responsabilidade nunca é sua, será sempre de alguém que dito entre dentes, se encontra mais acima ou quase sempre abaixo, sem no entanto serem capazes de perceber o que efectivamente aconteceu, alheios a causas e consequências.

Já vimos cavalheiros destes, a elaborarem planos de emergência, usando apenas modelos pré-fabricados, esquecendo-se que cada Edifício é um caso, agravado pelo facto de desconhecem completamente, o funcionamento dos diversos sistemas e a legislação específica em vigor, refugiando-se apenas, na critica à actuação dos verdadeiros especialistas, para embaciarem os vidros dos mais leigos.

Compete a quem tem conhecimento técnico e consciencia do risco, fazer a denúncia destes casos a quem de direito, pois o dever de sigilo, não se aplica em situações que configurem "crime" e a omissão de socorro, é considerado crime perante a lei portuguesa.

Nestas circunstâncias é importante estar-se atento, saber ler os sinais, apostar no "homem avisado vale por dois", afim de dar a resposta adequada, quando confrontados com o imprevisto.

Existem hoje em portugal, edifícios que são autênticos barris de pólvora, prontinhos a explodir ao mais pequeno frisom, um exemplo disso mesmo é o incêndio que ocorreu no edificio "JOELMA" em São Paulo – Brasil, ver: "Bombeiros Emergência" .

Lido este artigo, pergunto-lhes se encontram alguma semelhança com o vosso próprio local de trabalho, onde a sinalética é incorrecta ou inexistente, os extintores são inadequados ou estão fora de prazo, situados em locais escondidos ou desproporcionados, as mangueiras, estão inoperacionais, danificadas ou inexistentes, a iluminação de emergência não funciona, ou está mal instalada, as EPI´s – Equipas de Primeira Intervenção, não estão organizadas ou pura e simplesmente não existem. Quando falta um desses elementos, perguntamos nós, quem o substitui?

Pensamos que é chegado o momento das diversas associações de trabalhadores, incluirem na sua agenda de trabalho as condições de segurança dos seus associados, efectuando levantamentos idóneos, por quem efectivamente perceba o tema, e não por um qualquer “iluminado”, colocado no gabinete de "INsegurança" apenas porque sabe usar a escova de dentes.

A evolução de uma crise pode ter dois sentidos, dependendo de factores externos ou internos. Mas e apesar de qualquer crise mais grave, levar sempre a uma maior vulnerabilidade, fragilizando as defesas, nem toda a crise significa fatalidade, porque em muitíssimos casos, ela também pode ser uma boa oportunidade.

Geralmente uma crise evolui mais acentuadamente, arrastando atrás de si as consequências da sua própria imprevisibilidade, sempre que os recursos humanos de uma empresa ou instituição, estão mais diminuídos e a intensidade do stress domina, provocado por medos e dúvidas, ultrapassando a própria capacidade de reacção.

Num mercado cada vez mais competitivo e global, as crises começam por afectar empresas e instituições, por isso são sempre decisivas para os gestores, por exigirem destes, uma maior flexibilidade e preparação técnico profissional.

Dizem os dados disponíveis, que apenas um em cada cinco desses gestores, está preparado para lidar com uma situação de crise aguda e que a maioria dos quadros superiores, não está sequer qualificada, para a enfrentar com eficácia.

Muitos não sabem sequer como identificar a aproximação de uma crise, como perceber os diferentes sinais da sua evolução, inclusive, como elaborar e gerir planos de defesa, no sentido de uma desejável reversão, de tempos e ventos mais ciclónicos.

Nem todas as crises tem o mesmo padrão, mas a experiência de muitos anos no terreno em situações similares, mesmo que de menor gravidade, dão-nos aquilo a que chamamos de “horas de voo”, que nos permitem a ”tomada de decisões cruciais”, quando o perigo é iminente, limitando desse modo as avarias, os danos e inclusivamente a perda de vidas.

A capacidade reactiva do ser humano, é muito variável perante a mesma ameaça, por isso estamos sempre sujeitos às reacções humanas mais imprevisíveis.

Certo porém, é que alguns reagem de forma proactiva perante o perigo, factor importante e que deve ser avaliado de forma mais séria e responsável, pelas cúpulas dessas empresas e instituições, transformando esses valores em mais valias, na preparação preventiva/reactiva, como deveria acontecer por exemplo, no âmbito da segurança privada.

A segurança é sempre um factor de extrema importância a ter em conta na prevenção de uma crise interna, ela pode ser muito importante, se  todos os dados e informações resultantes do trabalho de um grupo específico, forem cuidadosamente analisados e tratados pelos responsáveis a quem são dirigidos.

A segurança interna de uma empresa ou instituição, pode contribuir perfeitamente, para o atenuar das consequências de uma crise, independentemente da sua origem ou dimensão.

Recordemos um grande gestor, que tinha por hábito lembrar aos seus subordinados, que uma empresa ou instituição com sucesso no ataque às crises, é toda aquela que dispõe de um serviço de segurança com uma "Portaria" actuante e de um departamento financeiro inteligente.

Para finalizar, deixamos aqui dois ”recados”: Nunca se deve minimizar o valor de quem sabe e lembramos que:

“O ACIDENTE EXISTE, ONDE A PREVENÇÃO FALHA”

Fernando Marques
Especialista em Segurança
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