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Centrais que controlam o quê? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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FracoBom 
Sábado, 19 Dezembro 2009 18:56

vigilanciando.pngAo longo dos anos, temos vindo a falar das centrais de segurança ou centrais de controlo como lhes chamamos na gíria, mas como "nunca é demais voltar ao tema" que continua a ser “actual” no sector da segurança privada, aí estamos mais uma vez a falar do mesmo, porque algumas situações a isso nos obrigam.

 

As centrais de segurança á semelhança do que se passa em outras vertentes da segurança privada, são um equipamento não visível, por isso pouco elucidativo do mau estado do sector em Portugal.

 

Ao contrário dos ASP´s – Agentes de Segurança Privada, vulgo "Vigilantes" que se encontram nos mais diversos locais por onde circulamos, as centrais estão confinadas em espaços resguardados, funcionando operacionalmente como elemento de retaguarda, pelo que a sua configuração,  meios e género de operação, são praticamente desconhecidos do cidadão comum e até dos profissionais no terreno.

 

Para quem depende da boa operacionalidade dessas centrais de controlo (segurança), o mais importante é sem dúvida, que estas proporcionem respostas eficazes a partir do alerta gerado, cumprindo o papel que lhes cabe,  que no caso concreto da segurança privada, é muitas vezes de coordenação e apoio, face aos meios que no terreno, enfrentaram a ocorrência em progressão.

 

 No entanto e lamentavelmente, nem sempre é assim, porque para além de estarmos sujeitos a deparar com um ou mais operadores inexperientes, acontece inúmeras vezes, sermos confrontados com reacções da mais completa incompetência, tudo porque não existe um critério na selecção dos operadores de central,  que na grande maioria dos casos, são seleccionados, não pela competência já demonstrada, mas sim pela simpatia que granjeiam, junto do chefe.

 

Esse facto é só por si clarificador do género de uma boa maioria de operadores que temos em inúmeras centrais de controlo, para além não haver a preocupação de proporcionar aos operadores, com regularidade, a formação adequada, não só ao nível da reciclagem de procedimentos, mas mais grave ainda, do manuseamento e dos protocolos, respeitantes a novos equipamentos e técnicas.

 

Uma central de controlo, funciona normalmente como um pequeno núcleo, onde os erros e as omissões para além da incompetência, mesmo que detectados em devido tempo, raramente são alvo de análise interna e das subsequentes correcções, tendo em vista  não só evitar a repetição do erro, mas sobretudo melhorar as respostas, face a futuros alertas.

 

Seria importante que essas falhas fossem alvo de análises apuradas,  tendentes a melhorar o desempenho dos operadores, quando confrontados com ocorrências cujos níveis de gravidade exigem acções sérias e responsáveis, no cumprimento do papel que lhes cabe no organigrama operacional de uma empresa, ao contrário do que muitas vezes se verifica, com a entrada em pânico ou a mais completa incapacidade, para responder ao alerta com a necessária eficácia.

 

É obvio que deveria competir aos gabinetes de segurança constituídos por verdadeiros especialistas, a supervisão e o acompanhamento permanente da operação das centrais de controlo, mas quando esses gabinetes, são igualmente chefiados por pessoa amiga do director geral, ou do administrador, sem a mínima preparação para a função, então toda a cadeia está errada e a falha está automaticamente assegurada.

 

Um operador de central deve ser um profissional pró-activo, experiente, conhecedor dos meios com que opera, dos diversos modos de execução, face a cada situação, da realidade do terreno em que a empresa se movimenta e do serviço que presta, dotado da necessária capacidade de avaliação e análise das situações, capaz de uma decisão em termos imediatos.

 

O operador de uma Central de Controlo numa companhia de segurança privada, deve estar disponível para assumir as responsabilidades que lhe cabem, consciente das consequências das suas decisões em todas as circunstâncias e cumprir os  protocolos estabelecidos, não se limitando apenas, a reencaminhar chamadas telefónicas, como acontece na maior parte dos casos que conhecemos, perdendo um tempo precioso e necessário à resposta, face à ocorrência em desenvolvimento.

 

Falamos de situações em que podem estar em risco vidas humanas ou bens situados nos espaços confiados à protecção da empresa ou dos grupos de trabalho que esta tem destacados em serviço, no âmbito da sua actividade de segurança privada.

 

Lamentavelmente, em variadíssimas situações, o operador limita-se a repetir maquinalmente, frases inconsequentes, do tipo:

 

  •  Feche a água;
  •  Desligue o quadro;
  •  Desligue o alarme;
  •  Desligue o equipamento;
  • Vou ligar ao Chefe;
  • OuÂ… Ligue para o 112; (como já testemunhamos)

 

Respostas que ocorrem com demasiada frequência nas Centrais de Controlo de empresas de segurança privada, não só porque o operador não tem o perfil adequado para aquela função, mas também e  sobretudo, porque não tem nenhuma experiência de terreno, nem a formação adequada para um desempenho com eficácia.

 

Durante alguns anos, alguns de nós tivemos a oportunidade de trabalhar ou operar, em centrais de segurança, centrais de controlo ou centros de comando, onde fomos treinados ou formados por verdadeiros ESPECIALISTAS, conhecedores da matéria e com vasta experiência, que nos transmitiam fundamentalmente: a técnica mas também “O Conhecimento”, fruto de horas de voo e erros corrigidos.

 

Num passado que não é assim tão longínquo e numa instituição localizada ali para os lados do Campo Pequeno, em Lisboa, os operadores de central de controlo em formação, eram submetidos a testes no “ Curso de Operador de Central”,  realizados algumas vezes, numa sala sonorizada, com rádio, com música altíssima, vozearia de pessoas, em ambiente de pressão criado propositadamente, como treino para reacção em condições adversas.

 

Falamos de um curso e testes que permitiam avaliar a capacidade reactiva de cada elemento, a partir dos quais foram formados excelentes operadores, que hoje em dia são subaproveitados, á semelhança de uma grande maioria dos verdadeiros profissionais de segurança, que estão a efectuar serviço, sem que o seu potencial, seja rentabilizado.

 

Se um ASP (Vigilante) se atrasa na abertura de um posto é sem dúvida uma falha grave, estando por isso sujeito a procedimento disciplinar subsequente, mas já o mesmo não acontece  se a responsabilidade da abertura desse posto é da central de controlo e esta se esquece de colocar o despertador para a hora prevista, ou não valoriza e reage, a um sinal de alarme que se repete diariamente, já para não falar no que acontece, quando o vigilante do terreno, pede apoio para uma situação de emergência.

 

Mais uma vez repetimos, “ O ACIDENTE EXISTE ONDE A PREVENÇÃO FALHA”

 

Fernando Marques

Especialista em Segurança

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