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Segurança "Gratificada" ou "Privada" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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FracoBom 
Domingo, 28 Fevereiro 2010 17:52

juliosantos_newban.pngQuem leu o artigo de opinião do Sr. Paulo Rodrigues “Risco de Privatização” na crónica do Correio da Manhã, do dia 20 de Fevereiro de 2010, fica com a ideia de que a Segurança Privada é uma ameaça para a Segurança Pública.

 

Importa enquadrar as coisas antes de se emitirem opiniões tão taxativas.

 

Em primeiro lugar compete à Direcção Nacional da PSP e, consequentemente aos seus Agentes fiscalizar a Segurança Privada. É caso para perguntar: Quantos Agentes da PSP sabem como aplicar essas competências?

 

Outro factor muito importante é que a haver a privatização da Segurança Pública em Portugal, esse fenómeno começa exactamente nas forças policiais PSP e GNR.

Se dúvidas houver é só focalizarmos a nossa análise nos serviços “gratificados”. Um “mal menor” aceite pelas Associações Sindicais e Socioprofissionais, porque não convém fazer “muitas ondas”, porque será?

 

Um serviço de “gratificado” é um serviço efectuado fora das escalas normais de serviço policial, mas, de acordo com alguns, de âmbito da Segurança Pública, será?

Será que um serviço de gratificado: no “Pingo Doce” no Centro Comercial “Colombo” em lojas de “quinquilharias”, etc. é um serviço público?

 

Cerca de 50 % dos Agentes da PSP no activo efectuam serviços “gratificados”. Destes 50%, existem Agentes que fazem entre 8, 14 ou 18 por mês. Estes serviços são, por norma, de 4 horas que a somar às 6 de serviço normal dão um total de 10h diárias de trabalho.

 

Se a este resultado somarmos as horas com expediente, visitas ao Tribunal, formação, operações especiais, concluímos que não temos Policias, mas sim Super-Policias, ou então Trabalhadores super explorados.

 

Mas no entanto, a preocupação do Presidente duma das suas Associações Sindicais é a concorrência da Segurança Privada, não estarão aqui as prioridades invertidas?

 

Porém, deixamos aqui um alerta sobre esta concorrência desleal. É do conhecimento de todos os Cidadãos a falta de Agentes policiais - pelo menos é o que nos dizem, embora o nosso rácio seja dos melhores da Europa – acontece que muitos Agentes estão sentados à secretária, nas Esquadras e Divisões, mas quando existem serviços “gratificados” eles são escalados para os fazer.

 

Fica a questão: então não fazem serviço de patrulha de Segurança Pública, mas fazem serviços de segurança “gratificados”?

 

Há um tempo atrás fui incumbido pela minha empresa de contratar um serviço gratificado para regular o estacionamento “selvagem” em redor da nossa sede. Após diversos contactos pelas vias habituais para o efeito como não obtive resposta, marquei então uma reunião com um dos Comandantes da Divisão de Trânsito da altura.

 

No dia e hora marcados, desloquei-me à rua de St.ª Marta (era aí que funcionava a Divisão de Trânsito). Depois de algum tempo a conversar sobre a temática, o Sr. Comissário fez uma afirmação que até hoje não me esqueço: “…Os serviços “gratificados” são para os ricos. Para aqueles que podem pagar. Prefiro ter os meus Agentes disponíveis para estarem ao serviço de todos e não só de alguns!”.

 

Saí dali frustrado por não conseguir os meus intentos, mas ao mesmo tempo satisfeito porque a afirmação daquele Comissário correspondia aquilo que deveria ser a realidade da Segurança Pública em Portugal.

 

Porém, quando li o artigo do Sr. Paulo Rodrigues fica-me a dúvida: quem contribui para essa privatização da Segurança Pública? A segurança Privada, os Agentes e militares, os Oficiais da PSP e da GNR ou o Estado?

 

Pois...não tenho uma resposta conclusiva!

 

Sr. Paulo Rodrigues permita-me que lhe deixe um pequeno reparo: os Agentes da PSP que fazem serviços de “gratificados” (nome pomposo para segurança privativa de alguns), fazem-no em prejuízo do seu descanso, é certo! Para completar um ordenado muito reduzido quando comparado com o risco que correm, é certo! Mas fazem-no utilizando o MEU DINHEIRO! Sabe porquê? Porque a formação dos Agentes, as armas, as viaturas e combustível (que os levam e trazem à maioria desses serviços), são pagos pelo erário público, logo, pelos meus impostos.

 

E o resultado é que: alguém vai pagar uns trocos por uma segurança altamente treinada e equipada com o meu dinheiro, enquanto eu, para ter alguma segurança na minha zona (Anjos em Lisboa) tenho de esmolar, sim! Leu bem, esmolar a todas as instâncias do Estado, Presidência da Republica incluída.

 

E o Senhor, enquanto Presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Policia, está preocupado com a concorrência da Segurança Privada, aos serviços de “gratificados”, em vez de estar a “lutar” para que os seus Associados não precisem dos fazer para sobreviver.

 

Desculpe, com o devido respeito, na minha modesta opinião, neste caso, tem as prioridades completamente trocadas.


Por: Júlio Santos

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