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Mais
uma vez alguém com responsabilidades vem “analisar” a prestação da segurança
privada de forma muito pouco realista. Depois de um sindicalista, temos um
oficial da PSP a escrever sobre o tema, por isso importa reflectir-mos sobre os
reais motivos que levam a tanta opinião no mesmo sentido, num tão reduzido
espaço temporal.
Nos últimos tempos temos assistido em alguns órgãos de
comunicação social a elementos ligados à PSP a avisarem dos perigos da
Segurança Privada. Estranho esse comportamento porquanto ele é comum a
dirigentes sindicais e a Comandantes.
Â
Importa colocar neste debate alguns factores que considero
importantes:
- - As
competências da Segurança Privada estão enquadradas por
Legislação própria da qual destacamos o DL 35/2004 e toda a sua
regulamentação
posterior;
- -
Compete à PSP, através da Sua Direcção Nacional a fiscalização
da Segurança Privada e aÃ, Senhor Comandante, a PSP tem cometido
algumas
falhas, se dúvidas houvesse é só identificar as empresas que operam Ã
margem da
Lei, algumas delas para organismos do próprio Estado;
Â
- -
Também não concordo com o Senhor Comandante quando afirma que
a lógica da Segurança privada entronca numa lógica que a segurança
pública não
pode responder, pois gostaria que o Senhor Comandante esclarece-se em
que
lógica enquadra os serviços “gratificados” prestados por Agentes da
PSP, cuja
formação, equipamento, transportes e parte do fardamento são pagos pelo
erário
público. Não serão estes serviços prestados nas lojas, centros
comerciais,
bombas de gasolina a prestação de serviços de segurança privada?
Importa
também referir que quando esses Agentes estão nesses serviços
remunerados
também é o cliente que “manda” no serviço, pois é ele que o paga (mas
não paga
a sua especialização, essa pagamos todos nós)
- -
Para os mais esquecidos importa recordar que durante toda a
existência de segurança privada em Portugal, até 2004, as empresas de
segurança
privada eram detidas e/ou tinham nos seus quadros oficiais de policia e
coronéis das forças armadas reformados que não vendo continuidade nas
sua
carreiras publicas vinham colocar ao serviço, da agora tão atacada
segurança
privada, todo o seu conhecimento. Conheço casos concretos e decerto o
Senhor
Comandante também os conhecerá.
Â
Será o
facto do sector da segurança privada fechar cada vez mais
portas aos que saem da segurança pública que conduz a tanto ataque?
Â
Ou será
mesmo receio da perda dos serviços de “gratificado” que
como sabemos, infelizmente, são o garante dum ordenado digno a tantos
Agentes
da PSP em sacrifÃcio dos próprios, das suas famÃlias e dos cidadãos que
tanto
precisam deles nos locais certos a efectuar os serviços para os quais
foram
contratados pelo Estado?
Â
São tudo
questões que importa considerar quando um elemento com
tanta responsabilidade na segurança pública faz alusões à segurança
privada.
Pareceu-me este artigo de opinião, uma campanha publicitária mal
direccionada
estava mesmo tentado a afirmar em linguagem popular “que foi um tiro no
pé”.
Â
Júlio
Santos
www.juliosantos.net
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