| A FOME MATA OS PRINCÍPIOS |
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| Sexta, 02 Janeiro 2009 15:14 | |||
Com o início de mais um novo ano e depois de todos os votos cruzados pelos vatícinios mais diversos, relativamente ao futuro e sobretudo aos próximos trezentos e sessenta e cinco dias, chegámos à mensagem proferida ontem pelo Presidente da República, que já teve leituras para todos os gostos.Pela nossa parte, retivemos dessa mensagem, as palavras de incentivo, dirigidas aqueles que de barriga vazia, nem sequer conseguem perspectivar o ano que agora começou e lembramo-nos de inúmeros vigilantes, que ainda hoje continuam à espera do principal, do pagamento dos salários em dívida a que tem direito pelo trabalho executado, sem as quais nem Natal tiveram, sequer.
Relembramos
aquele vigilante que no dia 24, nos escrevia via email, completamente
desorientado, porque para além de não ter recebido o salário de
Dezembro e o subsídio de Natal, acabava de saber que o administrador e
accionista principal da sua empresa, tinha oferecido nesse mesmo dia, a
cada um dos filhos, viaturas novas, máquinas topo de gama.
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Do mesmo modo que relembro outro vigilante que nos telefonou, completamente desalentado, porque a viver igualmente uma situação desesperada, devido a não receber salários desde Novembro, está ainda em vias de ser despedido, de ficar sem trabalho, porque se apresentou no dia 24 de Dezembro nos escritórios da empresa a reclamar o que lhe é devido, mas de onde saíu com vontade de se meter debaixo de um combóio, tal foi a forma como foi tratado. São casos como estes que nos fazem pensar não só naquilo que o presidente disse, mas ir muito mais além, na direcção do que ele não disse e que deveria ter dito, chamando os bois pelo nomes e abanando os poderes placidamente instalados, à sombra de uma crise feita, à medida que mais lhes convém. No entanto e no que à segurança privada se refere, apesar da aparente acalmia que se vive neste sector, onde parece que nada está a acontecer, mas que na realidade alberga dramas de bradar aos céus, continuamos à espera que os chamados líderes, os dirigentes sindicais, os auto proclamados representantes dos trabalhadores, sejam capazes de assumir posição pública, na denúncia dessa realidade asfixiante, que se vive em multiplos lugares deste país. Numa época em que somos obrigados a enfrentar uma crise que foi criada inicialmente de forma artificial, por uns quantos oportunitas e jogadores do alheio, com o "yesman" dos vários poderes, que agora tentam a toda a força, convencer-nos que temos de mastigar o pão que o diabo amassou, não se ouve um único som, um único ruído, um único líder sindical, a denunciar as arbitrariedades que todos os dias são cometidas, neste sector profissional, que nunca facturou tanto como agora. Bem hajam todos os que de barriga cheia, se riem e engordam com o actual estado de coisas, que façam uma boa digestão dos manjares que tem saboreado, à custa dos escravos que lhes enchem as mesas e as contas bancárias, mas depois não se admirem, se um dia destes se virem GREGOS, para responder à tempestade que por aí vem... Já dizia o autor desconhecido, "A FOME MATA OS PRINCÍPIOS", talvez depois o recordem.
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