| A legalização dos cães de guerra |
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| Sexta, 24 Abril 2009 19:07 | |||
O jornalista Norman Solomon cunhou a expressão War Made Easy para caracterizar as intervenções militares apoiadas na convicção da posse de uma superioridade técnica capaz de assegurar a vitória-relâmpago, com vÃtimas apenas do adversário. Outras modalidades de intervenção teriam em vista uma chamada paz rústica, que seria a procurada para a turbulência dos conflitos que envolveriam grupos étnicos, facções religiosas, lutas primárias pelo poder em teatros correspondentes aos Estados falhados, ou em vias de estruturação ou entregues à anarquia das lutas internas movimentadas por projectos exteriores de hegemonia.
Foi
neste caldo que surgiram os cães de guerra, designadamente nos
territórios tornados independentes sem respeito pelo tempo exigÃvel
para uma transição segura do estatuto colonial para a igualdade
soberana na cena internacional. Homens que tinham a experiência de
guerra que terminara na Europa, sem possibilidade de lhes assegurar uma
qualidade de vida razoável, alugaram as capacidades profissionais de
combatentes, decidindo-se pelo salário, nunca pela justiça das causas.
A condenação moral e jurÃdica desta profissão de risco não teve
resultados compensadores.
Todavia, a deriva para a privatização da acção militar parece ter levado a uma espécie de aristocratização da actividade, transformando em objecto social, avalizado pelo mercado, a variedade de intervenções, e por isso também as ofertas do mercenarismo inspirador. A mensagem destas sociedades tem relação com um facto que atinge todas as actividades públicas e privadas, cuja actividade seja tributária do avanço técnico e cientÃfico: a necessidade crescente de pouca gente, mas altamente qualificada, torna dispensável o antigo modelo do contingente, de serviço militar obrigatório, que abrigava muita gente sem qualificação exigente. E, também, a formação multidisciplinar dos quadros permanentes, e a sua concentração nas tarefas da tecnologia avançada, orientaram no sentido de contratar no exterior, com firmas especializadas, serviços sem os quais a máquina militar não funciona. O formalismo jurÃdico é observado, as obrigações de publicidade são cumpridas, o mecanismo bolsista está presente. As empresas privadas distinguem-se em primeiro lugar pelo objecto social, e nesta área a escalada inclui empresas de aconselhamento e treino com assistência militar, de análise, de apoio logÃstico, de segurança a entidades privadas, de avaliação de riscos empresariais, de prevenção da criminalidade, e igualmente de combate, participando em operações militares de iniciativa estadual. A questão é que a teologia de mercado não assegura limitação dos objectivos económicos dessas empresas em relação ao Estado do domicÃlio social, não garante que o civismo impeça que o lucro seja o valor principal, a paz não é provavelmente a notÃcia mais desejada pelos gestores, a corrupção insinua-se eventualmente na metodologia, o controlo externo tende para a ineficácia, ou para a inexistência. Distinguir a intervenção militar da função mercenária, porque as empresas são contratadas pelos Estados, é uma prova de confiança na imagem que não chega para impedir que os seus agentes no terreno não se distingam desses antigos agentes da paz rústica. Por outro lado, a lamentação de Eisenhower, quando no seu discurso do adeus referiu a circunstância em que viveu a presidência sem controlar o complexo militar-industrial, agravou-se com o crescimento e sofisticação da indústria do sector, com a proliferação das armas de destruição maciça, com a circulação comercial dos saberes e das técnicas, com o desafio à s lealdades nacionais, com a mundialização do comércio das armas, com a corrupção eventual dos responsáveis polÃticos pelas decisões. Segundo dados de 2008, no Iraque foram utilizados 160 000 operadores privados. O mercado tem apoio em lóbis como a International Peace Operations Assotiation. O mercado de armas ligeiras inquieta todas as instâncias que lidam com os desastres na área da geografia da fome. Os agentes dessas sociedades, mortos em combate, não são contabilizados pelas estatÃsticas. in:DN/ADRIANO MOREIRA Share
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