| RUSGAS |
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| Sábado, 27 Junho 2009 13:18 | |||
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Por mais que os números se repitam, nunca deixam de me surpreender aqueles que resultam das megaoperações da PSP no que respeita à frequência, e tolerância, com que jovens sem idade frequentam estabelecimentos que lhes são vedados. O mesmo se passa quando se quantificam as infracções rodoviárias por consumo excessivo de álcool, muitas delas cometidas por jovens.
Não
percebo. Quer dizer, percebo a rapaziada, o frémito de aventura e
risco, a descoberta do mundo dos adultos, a afirmação pela imitação dos
mais velhos. Mas não percebo os pais. Não percebo como é possÃvel
libertar na noite, para as aventuras nocturnas, filhos que já não são
crianças mas sem os nÃveis de responsabilidade que se espera em rapazes
e raparigas com mais de dezasseis anos, sem controlo nem
acompanhamento. Não percebo mesmo. O culto de uma educação baseada no
laxismo, na tolerância sem crÃtica como se o amor pelos filhos fosse
sinónimo de dizer sim a tudo aquilo que é pedido. Não percebo esta
tolerância em que divertimento é sinónimo de risco sem guardas.
Uma vez, conheci a mãe de um toxicodependente que percorreu todo o caminho sacrificial que os pais de doente assim são obrigados a percorrer. Os tratamentos, as recaÃdas, os roubos, a polÃcia, a prisão, a degradação humana e moral até ao limite. Expulsou o filho de casa, recolheu-o, abrigou-o, acompanhou-o, procurou descobri-lo nos vãos escuros e clandestinos onde se recolhiam ressacados e pedrados. Foram anos de martÃrio. Por fim, conseguiu salvá-lo. Na conversa com essa mãe, perguntei-lhe que conselhos daria a outras mães depois da sua experiência. Respondeu-me: ‘Amem os vossos filhos, mas que esse amor seja firme!Â’ O amor firme que sabe o valor de um não. O amor firme que avalia o momento da censura. O amor firme que é capaz de castigar sem vexar a dignidade do castigado. O amor firme que aquela mãe aprendeu à custa de anos de sofrimento é o maior ensinamento que nenhum tratado de pedagogia consegue explicar e colocar sob o valor de regra. É certo que vivemos num tempo que mitificou o prazer como o bem supremo da cultura de vida. Que é estimulado por infinitas seduções que vão da publicidade ao acesso fácil de tudo aquilo que satisfaz o vÃcio do prazer. Mas também é verdade que este culto não é uma deriva de jovens sem juÃzo. É, antes do mais, uma perversão de pais com ainda menos juÃzo e sensibilidade para compreender que amar é, antes de tudo, uma forma de afirmação e não de omissão. O amor firme que evitaria os números que as rusgas da PSP trazem ao nosso conhecimento. In: CM por: Francisco Moita Flores, Professor Universitário Share
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