Jogo dos cartéis na Segurança Privada
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FracoBom 
Domingo, 26 Julho 2009 12:08
vigilanciando.pngAinda a propósito da mais recente acção da AES - Associação de Empresas de Segurança Privada, compreendem-se as motivações, só que o mercado da segurança em portugal, ao contrario do que idealizam, não se pode transformar numa versão semelhante à dos "combústíveis ou das farinhas", onde é mais que evidente o cartelismo de grupo.
Todos percebemos que o objectivo da AES, é por exemplo eliminar pela via legislativa, o maior número de pequenas empresas que trabalham no sector, importando-lhes um pepino se uma boa parte dessas pequenas empresas, apesar da sua dimensão, cumprem as exigências legais para com o estado e os seus trabalhadores.
 
Para a AES cuja lista de associados é encabeçada pelas três ou quatro maiores empresas do sector, chegou a hora de impôr a força do Lobby,  pressionar o poder, que na sua opinião está fragilizado, não só pela aproximação de eleições, mas também pelas dificuldades económicas vigentes.

A questão resume-se apenas à dificuldade com que essas três ou quatro empresas se deparam, tendo em vista o crescimento exponencialmente dos seus lucros, a partir de acordos estabelecidos entre elas, sem terem que enfrentar terceiros fora do contexto, sobretudo no que se refere a concursos públicos, onde se encontra a maior fatia da facturação global da segurança.

Mesmo a pagar mal, tarde e a más horas, o Estado é pessoa de bem e acaba sempre por regularizar as suas contas, mesmo que atrasado nos prazos, o que não afecta em nada as empresas, porque quando tal se verifica, cobram juros, que são sempre vantajosos.

Depois há ainda os contratos de factoring estabelecidos com a banca, que garantem mensalmente às empresas os valores facturados, sem grandes sobressaltos, até porque está bom de ver, que quanto maior fôr o volume dessa facturação, mais benefícios as empresas podem obter nesse negócio com a Banca.

Por isso e equacionados os principais vectores deste levantamento de rancho da AES, que foi quem teve a iniciativa e liderou a acção, o objectivo estava definido, criar as condições para varrer deste mercado, o maior número de incómodas e mais pequenas empresas, não importando se os seus modelos de gestão são limpos, correctos e respeitadores, dos melhores princípios legais.

É certo que como em todas as actividades sectoriais, existe gente boa e menos boa, gente honesta e menos honesta, mas para isso mesmo é que existem as leis, as entidades fiscalizadoras e a força do próprio mercado, que é quem acaba por seleccionar as melhores, quando confrontado com desempenhos anormais.

Só que para a AES e todos os seus principais associados, aqui o que importa é reduzir ao mínimo o leque de empresas no sector, ansiosos por se verem livres do atilho de uma concorrência incontrolável, para então, poderem assegurar os acordos especiais de cartelismo sectorial, dominando a seu belo prazer, clientes e trabalhadores, uns obrigados a pagar os preços combinados e os outros a terem que aceitar as regras e as condições de trabalho decretadas internamente, por cada uma das signatárias.

Esta é a única ilação que se retira desta acção, cujo objectivo principal está bem à vista de todos, controlar o mercado de segurança, pela supressão de uma concorrência, cujo domínio lhes foge entre os dedos.

Se houvesse efectivamente a chamada "pureza de intenções" por parte da AES e daquelas que a seguem, em vez de denúncias generalizadas e vagas, teriam tido a coragem de criar um quadro negro e apontar aí, os nomes dos principais autores de práticas e actos de gestão danosa, que contribuem perigosamente para o atropelo à Lei, à genese e à imagem, da segurança privada neste país.

Era isso que se esperava de um grupo de Associações sectoriais, que se dizem lesadas, dizem,  porque na verdade os objectivos desta acção, tinham muito mais a ver, com o desenho de uma futura consolidação cartelista.
Raios e Coriscos /  Vigilante numa pequena empresa 
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