| A insegurança, limitadora das liberdades |
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| Domingo, 23 Agosto 2009 01:07 | |||
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Com a
pressão dos média, sobretudo da televisão, o meio com maior impacto
junto das sociedades de consumo, mas subjugada ao jogo das audiências,
procurando cumprir o seu papel que é informar, entra-nos todos os dias
casa dentro, os mais macabros sinais de terror, afectando o
inconsciente colectivo, elevando a materialização de sentimentos
intimidatórios, despertando o medo, sobretudo quando a notÃcia nos está
mais próxima.
 A violência urbana por exemplo, tem assumido proporções assustadoras, o que tem provocado um sério debate público, expresso a todos os nÃveis, não poupando sequer a agenda das instituições públicas ou privadas, alarmados com o sucedido ao vizinho do lado. Como resposta a este fenômeno que nos flagela a todos, pessoas e organizações tentam proteger os seus bens e vidas, socorrendo-se quase sempre de profissionais especializados nas várias áreas da segurança, tentando reduzir a margem de progressão delitiva. Entretanto o cidadão procura organizar-se, pressionando os polÃticos para que criam leis, mas estes, apenas o fazem à sua própria medida, como se fossem eles os principais alvos do flagelo que nos afecta a todos em geral, esquecendo-se que lá fora, na rua, é que habita o verdadeiro destinatário dessas leis e medidas, a quem deveria ser transmitida uma maior sensação de segurança. Salvo rarÃssimas excepções por esse mundo fora, os governos derretem somas avultadÃssimas em soluções que não servem a ninguém, ou seja servem apenas alguns, porque no essencial, o básico nunca é considerado antes de se partir para qualquer novo projecto, por isso no final, por muitos mÃsseis que se adquiram, a criminalidadee que nos afecta no dia a dia, nunca é atingida. O medo e a insegurança minam o quatidiano das civilizações ocidentais, diz o sociólogo Brasileiro Gey Espinheira, um dos maiores especialistas em segurança urbana, que é, "muito perigoso, quando em certos perÃodos, se propaga a sensação de que a violência está sem controle... de que existe uma completa ausência de poder” Um exemplo dessa tese são as periferias urbanas, sobretudo nas grandes metrópoles, onde o Estado que é um poder “colectivo” reconhecido institucionalmente pela sociedade democrática, esquece o cidadão dessas áreas socialmente mais crÃticas, desinvestindo perigosamente na "saúde, educação, saneamento e na segurança". Por isso, daà à instalação dos poderes marginais, existe apenas um passo. A opção por um modelo de Estado que resiste ao investimento em áreas sociais, faz com que o cidadão residente nessas zonas, sinta na carne a fragilidade do seu papel na sociedade, o que o leva a perder completamente a fé, no poder instituido constitucionalmente. O drama de quem não se sente protegido pela segurança pública, é terrÃvel e assustador, levando ao refugio naquele que considera ser o seu melhor meio de protecção, engrossando o rol de seguidores dos lÃderes da delinquência, valorizando o seu poder. Do outro lado, como contraposição, verifica-se um crescimento exponencial dos negócios ligados à segurança, sendo a segurança privada,uma das soluções cada vez mais procuradas pela sociedade, da qual, cada cidadão, organização ou instituição, se vê obrigada a socorrer-se na busca de meios complementares, que lhe proporcionam um acrescimo de protecção. Trata-se de uma decisão que não surpreende os mais avisados, bons leitores dos fenómenos que todos veem, excepto o poder instituido, que insiste em olhar para o lado, mesmo sabendo das brechas que tem abertas nas várias muralhas, alvos previlegiados da acção da delinquência em geral. Só que e apesar dos alertas, continuamos a ter uma segurança privada muito pouco eficaz, mal preparada e sobretudo muito mal tratada, porque se insiste em não querer valorizar o profissional do sector, com o argumento de que a evolução da tecnologia cresce a um ritmo impressionante, esquecendo que o homem, o Vigilante, o Agente de Segurança Privada, continua a ser um elemento essencial, que em muitos casos, nem a melhor tecnologia pode substituir. Como dizia o velho da fonte, "um dia ainda não será tarde", só que entretanto e até lá, o flagelo da criminalidade, continuará a afectar vidas, empresas e instituições e nós continuamos a assistir o mais completo desinteresse pela qualificação dos profissionais do sector da segurança privada, continuamos a ter empresas no sector sem um mÃnimo de condições para trabalharem em conformidade com a especificidade desta actividade e continuamos a ter um estado permissivo, irresponsável na avaliação do risco, subjugado a interesses exclusivamente mercantilistas. Carlos Santos/Editor do Portal Share
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