| Realidade Portuguesa/Balanço na Justiça |
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| Sexta, 25 Setembro 2009 09:06 | |||
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Os 500 mil portugueses que são vÃtimas de crimes por ano não têm voz e sofrem na pele a incúria do legislador
A principal herança do Governo nesta legislatura no âmbito da justiça é o aumento da duração média dos processos findos. A morosidade da resposta judicial tornou-se um cancro do sistema judicial. Em 2003, uma acção declarativa civil durava em média 24 meses. Em 2007, uma acção declarativa civil durava em média mais 11 meses, isto é, 35 meses.
O mesmo se passa no processo administrativo, tendo a duração média da acção declarativa comum aumentado de 5 para 16 meses e nos processos de impugnação de 27 para 77 meses.
Depois
de obter uma sentença, o calvário do credor não terminou. São
conhecidos os efeitos nefastos dos longos prazos de cobrança judicial
dos créditos, criando problemas de tesouraria e levando ao
endividamento das empresas e, sobretudo, das PME. O Governo prolongou
este calvário em média mais 11 meses. Em 2003, uma acção executiva
durava em média 27 meses. Em 2007, uma acção executiva durava em média
38 meses.
Na economia portuguesa, as empresas que actuam ilicitamente estão a
arruinar as empresas que agem licitamente. Apesar disso, a justiça está
impotente para responder aos problemas colocados pelas práticas
ilÃcitas mais sofisticadas de uma economia global que funciona online.
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A
economia portuguesa continua amarrada a um regime geral das infracções
económicas datado de 1984, como se o mundo não tivesse mudado desde
então. Em suma, a lei está totalmente desfasada da realidade da
economia portuguesa. Pior ainda, o Código Penal mantém incriminações
económicas anacrónicas copiadas da lei da defunta Alemanha comunista.
Os crimes violentos sucedem-se com uma brutalidade e frequência inusitadas. Nesta legislatura, os portugueses viram surgir o carjacking e o homejacking na sua plena força. Assistimos aos tiroteios entre gangs de marginais nalguns bairros onde a autoridade do Estado não existe.
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A
execução precipitada das reformas penais pôs na rua centenas de pessoas
condenadas ou suspeitas da prática de crimes graves e desprezou as
vÃtimas, impedindo-as de exercer direitos processuais básicos.
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A
conjugação destas reformas com a sangria de técnicos dos serviços de
reinserção social para outros serviços do Estado teve um efeito
catastrófico. Os regimes de vigilância dos criminosos fixados pelos
tribunais não são cumpridos, voltando os criminosos rapidamente à senda
do crime.
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Este
efeito é ainda agravado por uma reforma orgânica apressada da PSP e da
GNR, com a consequência do aumento da criminalidade precisamente nos
distritos onde a redistribuição de competência territorial da PSP e da
GNR foi mais importante, como se constata do último RASI. Em suma, o
meio milhão de portugueses que são vÃtimas de crimes por ano não tem
voz e sofre na pele a incúria do legislador.
O Governo virou as costas à famÃlia e aos jovens. A nova lei do divórcio desprotege as mulheres de mais fracos recursos e os filhos menores, podendo o cônjuge que não procurou o divórcio ser duramente prejudicado em termos patrimoniais.
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Há 11 000
crianças institucionalizadas, votadas ao abandono, ao ócio e ao vÃcio,
reféns de um processo de adopção dominado pela lentidão e pela
discricionariedade da Segurança Social. Metade das comissões alargadas
de protecção de crianças e menores em risco não funciona, sucedendo-se
os incidentes graves com crianças negligenciadas por famÃlias de alto
risco, por vezes com consequências mortais.
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As
comissões de prevenção e tratamento de toxicodependentes foram
abandonadas pelo Governo e ignoram o trabalho umas das outras, o que
provoca práticas discricionárias e contraditórias e duplicação inútil
de esforços.
Por fim, o Governo tem um preconceito contra as magistraturas. Tentou sem sucesso funcionalizar os magistrados, submetendo-os ao regime dos funcionários públicos. Deu mais poderes de detenção à polÃcia do que aos próprios magistrados. Transformou os julgados de paz em tribunais sem independência, verdadeiras correias de transmissão do Ministério da Justiça. Em sÃntese, o Governo deixou a justiça nas ruas da amargura. por Paulo Pinto de Albuquerque in: DN/Opinião/25.09.09 Share
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