|
No que se refere à actividade de segurança Privada em Portugal, todos aqueles que estamos por dentro, sabemos perfeitamente que esta continua a estar alicerçada, em pressupostos que permitem um vasto leque de maningâncias, com o Estado, a legislar, a fiscalizar mas também a prevaricar reiteradamente, devido à irresponsabilidade mas também alguns compromissos, de um grande número de gestores.
São contas de um rosário que tem desde sempre neste sector, sido alvo da batalha de uns quantos, seriamente preocupados com o patrocÃnio que o Estado dá à s ilegalidades, permitidas e praticadas por instituições, empresas e empresários, que fazem da segurança privada, um farró de tripa forra, sem que alguém seja capaz, de impôr ordem no sector.
Falamos
de contratos de segurança privada, cujos interesses são da mais diversa
ordem, mas aqui o que nos importa são os valores envolvidos, que
impressionando os mais desavisados, não surpreendem quem trabalha, por
se tratarem de números impostos por custos obrigatórios, quando
cumpridas todas as formalidades inerentes a um contrato.
Partindo do princÃpio de que cada vigilante para além dos 14 meses de
salário base e sub. de alimentação, tem o custo acrescido do 15º
salário correspondente ao vigilante substituto em férias, tem de
auferir o suplemento correspondente às horas nocturnas que faz (+25%),
de receber as extraordinárias, quando ultrapassa o número mensal a que
está obrigado (+50%), suplemento de horas em feriado trabalhado (+100%)
e descanso compensatório, já falamos de custos mensais, que
correspondem à fatia maior de qualquer proposta.
Depois temos da parte da empresa, os restantes custos que lhe competem,
como o são a segurança social, as previsões de férias e sub. de férias,
o absentismo, o recrutamento e formação, os seguros de trabalho e
responsabilidade civil, medicina no trabalho, o fardamento, os
equipamentos, os materiais de consumo diário, as comunicações, a
coordenação e o controlo operacional, outros custos operacionais, os
serviços administrativos e os impostos.
Ou seja, se considerar-mos que é a partir do trabalho executado pelo
vigilante, que toda esta panóplia de custos obrigatórios, é suprida
pelas empresas que primam pela legalidade, tendo sempre como meta,
atingir os melhores resultados globais, estas tem de ser
obrigatóriamente muito criteriosas na gestão da sua lista de
prioridades, recusando enveredar pela estratégia mais fácil que é a da
venda abaixo do custo, sob o risco de terem de entrar forçosamente na
ilegalidade ou na falência técnica, com apenas dois sentidos viáveis,
fecharem portas, ou como tem sido habitual em portugal, fazer pagar
esse prejuÃzo ao vigilante, explorando-o indignamente.
Para uma empresa com uma estrutura simplificada, só para termos uma
idéia mais próxima daquilo que estamos a falar e depois de todos os
calculos efectuados por qualquer analista de custos, ele conclui
facilmente que um vigilante custa mensalmente à empresa, um valor que
ronda os 1.300,00 €, o que corresponde, quando falamos de uma portaria
de 24 horas, para a qual é necessário um efectivo de 4,60 homens, a um
custo directo de 5.525,00 € mensais, para aquela portaria..
Vem isto a propósito de mais um, de entre tantos negócios de segurança
privada, que se fazem com regularidade por esse paÃs acima, com o
Estado que já todos sabemos ser o maior cliente do sector, a comprar
através da abertura de concursos legais na sua constituição, mas
ilegais na sua conclusão, devido à permissividade dos gestores, que sem
avaliarem o que estão a comprar, permitem a prática de trabalho escravo
nas suas instalações.
Vejamos
por exemplo um caso real e que está próximo no tempo. A Câmara
Municipal de Coimbra, lançou recentemente um concurso para aquisição
de serviços de segurança privada, por dois anos, destinados a seis (6)
instalações, com cargas horárias variáveis.
Falamos de um total de 2.516,6 horas mensais, sendo de entre estas,
1.831,9 horas nocturnas e 122,9 horas (media mensal) de feriado. Para
executar estes serviços, é necessário mensalmente um efectivo
permanente de 14,52 homens, não esquecendo que cada um destes homens
tem direito ao gozo de um mês de férias anual, o que perfaz um efectivo
médio mensal de 15,84 homens, segundo a lei.
Se partirmos para um calculo elementar, com a formula simples como
segue (15,84 x 1.300,00 € x 24 meses) falamos de um custo para a
empresa que vende o serviço para um perÃodo de 24 meses, de 494,200,00
€, custo, falamos de custo, porque se lhe acrescentar-mos a margem que
é usual neste sector (2,5%), concluimos que a proposta a apresentar,
deveria ter sido no mÃnimo de 506.563,20 €.
Só para se ter uma idéia da desbrega que pulula neste sector, passamos
abaixo os valores apresentados pelas quinze (15) empresas, que se
apresentaram ao concurso da Câmara Municipal de Coimbra:
Empresa A:        - 407 583,36€ (Empresa vencedora do concurso)
Empresa B:        - 429 432,00€
Empresa C:        - 439 560,00€
Empresa D:        - 439 308,00€
Empresa E:        - 439 560,00€
Empresa F:        - 456 192,00€
Empresa G:        - 468 542,64€
Empresa H:        - 468 864,00€
Empresa I:        - 479 383,20€
Empresa J:        - 480 310,00€
Prestibel         - 503 784,00€
Linha Veloz      - 506 016,00€
Securitas        - 510 240,00€
Prosegur          - 561 120,00€
MGF              - 569 022,00€
Estamos perante um caso em que a empresa que vence o concurso e
provavelmente irá executar o serviço, vendeu por 407.583,36€, abaixo do
seu próprio custo, ou seja, menos 98.979,84€, praticamente cem mil
euros abaixo daquilo que lhe custa o serviço, claro como a água,
estamos perante uma prática flagrante de "dumping", proibida por lei,
mas que aqui beneficia descaradamente, da aprovação dos responsáveis
que proclamaram esta empresa, como vencedora do concurso em causa.
Esta empresa, estará provavelmente a prever ter um custo com cada
vigilante, de 1.072,00€/Mês, por isso, que haja alguém que nos explique
como é que vai ser possÃvel, cumprir todos os compromissos legais com
os custos do trabalho, acrescidos dos restantes custos que lhe são
impostos pela lei, por força da actividade empresarial que desenvolve.
As vÃtimas, claro... vão ser os vigilantes que vão trabalhar horas
extras, nocturnas e de feriado sem receber, subsÃdios não pagos ou
pagos sob pressão. Aos poucos meses começa a história dos salários em
atraso, até porque como acontece na maioria dos municipios portugueses,
as facturas dos fornecedores, adormecem nas gavetas dos gabinetes
financeiros, daà a deixar de pagar a segurança social é um passo, não
hà dinheiro, não se paga, atrasa um mês, dois, três e a empresa já não
consegue recuperar.
Quando será que o jurà de um concurso, ou um gestor do estado, antes de
assinar qualquer adjudicação, ou proclamar um vencedor, exige da sua
acessoria, a comprovação de que aquela proposta, a vencedora, reune
todas as condições de solvencia técnica, que garantam a prestação de um
serviço de qualidade, em todas as suas vertentes?
Porque não estamos a invocar nenhuma utopia, dirÃamos que num paÃs do
chamado mundo civilizado, o estado faz as leis, regulamenta-as e
fiscaliza a sua aplicação. Depois, cabe aos gestores de cada entidade
ou instituição, zelar não só pelos interesses do próprio estado, mas
também do cidadão a quem serve, sem se desviar do objecto da própria
lei, seja qual fôr a razão da sua intervenção.
Mas em portugal não... continuamos a ser um paÃs de faz de conta, já
aqui o dissemos inúmeras vezes e continuamos a repetÃ-lo, um paÃs de
gestores incompetentes ou comprometidos.
Portugal
é hoje um paÃs integrante da união europeia, mas somente para alguns,
aqueles que são capazes de fazer da missão, o seu objectivo primeiro de
vida, porque para os outros, outras missões maiores os norteiam,
falamos dos gestores e do pântano, em que a segurança privada, está
submersa.
 Carlos Santos/Editor do Portal
Fonte: ANASP
Share
|
Os membros ou visitantes não utilizarão o Portal da Vigilância para transmitir, comunicar ou difundir de qualquer forma, opiniões ou conteúdos ilegais, difamatórios, de lesa terceiros ou que de qualquer outro modo, atentem contra os valores do Portal ou a dignidade das pessoas.
Os comentários inseridos, são publicados com edição prévia (moderados), mas serão sempre da exclusiva responsabilidade dos seus autores.
A administração reserva-se ao direito de eliminar os comentários que não cumpram as regras das condições de utilização do Portal.
-- A Administração do Portal da Vigilância