| Francisco M.Flores: Vamos a Isto |
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| Sábado, 13 Fevereiro 2010 16:25 | |||
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 Pobre, aflito, por vezes sem perceber por que aconteceu esta hecatombe que atinge a economia, que morde as canelas de quem trabalha, e de quem desespera por trabalho. A verdade é difÃcil, custa a perceber, e nestes tempos de aflição habitados pelo medo estamos sempre em condições de apontar o dedo e de acusar o outro. A culpa é sempre do outro. Do governo que não governa, da oposição que não coopera. Dos professores por viverem de ameaça em ameaça ou da ministra que não cede até ao servilismo. Do empresário sufocado por dÃvidas que fechou a empresa, dos beneficiários do rendimento mÃnimo, sabendo-se que o projecto de grandeza moral e cÃvica está a ser aproveitado por milhares de malandros. A culpa é da discussão sobre o casamento gay; ou daqueles que dão palpites e não fazem, ou dos outros que insultam e menos ainda fazem. A culpa é sempre estranha a cada um de nós. Velho estigma que herdámos dos tempos em que a culpa era acompanhada de acto de contrição e autos de fé.
Porém, agora que entrámos na nova década, agora que somos cada vez mais confrontados com as consequências mais graves da crise, digamos esse outro acto de contrição que atira as culpas para cima de nós todos. Pois não soubemos fazer, não sabemos ouvir, trabalhámos menos do que precisávamos, estudámos muito menos do que o paÃs precisa, quisemos ser espectadores de um psicodrama no qual somos actores. Mesmo que não o queiramos ser. Pois da nossa vida se trata. Nossa e dos nossos filhos. E não se pode perder mais tempo.
É preciso saber reagir, resistir, ganhar uma nova dimensão da tolerância, e saber que este paÃs precisa de gente com vontade de ser feliz em vez de agonizar no desespero do despeito. Temos séculos andados pelos caminhos que nos trouxeram a 2010. Não creio que tenhamos perdido as forças. Logo agora que lutamos pelo que temos de entregar aos nossos filhos. Que lhes daremos? Esta tristeza moral em que mergulhámos? Apesar de por vezes sermos muito pequeninos, não creio. Temos genica e força para entregar um tempo melhor. Sei que temos. Pesem todos os profetas da desgraça.
Publicado em Janeiro 2010/in: CM/por: Francisco Moita Flores, Professor Universitário Share
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