| Agrava-se a exploração na Segurança Privada |
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| Domingo, 21 Fevereiro 2010 04:18 | |||
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 Com esta demonstração de negociadores de feira , mais ao género de comerciantes de gado morto, o núcleo empresarial do sector de segurança privada português, mostra toda a sua pobreza de espÃrito, ao denunciar uma fraqueza mental impressionante, incapazes de perceber, que estão a transmitir aos profissionais, clientes e sociedade em geral, a sua verdadeira dimensão de vendedores de trabalho escravo. Portugal não tem nenhumas condições para ser um paÃs grande, moderno e capaz de ombrear com os seus parceiros europeus, enquanto tiver no seu tecido empresarial, núcleos ou grupos, que se recusam a perceber que a escravidão terminou no século passado e que hoje, as empresas e os seus administradores, são obrigados a obter bons resultados, mas com estratégias inteligentes e não exclusivamente, à custa da mais indigna exploração dos seus assalariados.  É desonesta, talvez das propostas mais desonestas a que temos assistido nos últimos anos. É ofensiva por demonstrar uma total falta de respeito por quem defende no dia a dia as suas cores, é aviltante por terem tido o desplante de destapar o saco da desvergonha, ao denunciar a sua verdadeira postura, relativamente ao principal parceiro, o trabalhador, aquele que garante a existência dos senhores, enquanto administradores e empresários.  Todos sabemos que as renegociações de contratos com os clientes do sector da segurança privada, com excepção de alguma parcela do Estado, já estão adiantadas e até concluÃdas, sobretudo nos privados, com acordos variáveis, que em alguns casos, chegam aos 3 e 3.5% de aumento, na facturação para 2010.  No entanto os senhores empresários do sector da segurança privada em Portugal, apresentam-se com uma proposta final à mesa das negociações do CCT, que não vai além do 0,2%, um gozo, indigno de gente que se pretende inteligente, o cumulo do ridÃculo, uma autêntica declaração da mais pura exploração, ao género do tempo das roças de S. Tomé, que se tiver o aval do Ministério do Trabalho, teremos finalmente instituÃdo em portugal , o negócio da compra e venda do ser humano. Â
Perguntamo-nos
como
é que nos restantes paÃses da união
europeia, para não ir mais longe, os acordos colectivos do sector, são
concluÃdos entre as associações patronais e dos trabalhadores, com
cedências de
parte a parte, mas sem que seja somente uma das partes, neste caso a
mais
frágil, obrigada a suportar a totalidade do custo da tal crise, a
desculpa
usada e abusada, pelos da
segurança privada em portugal.  Num sector que tem estado a beneficiar da conjuntura económica, cujos reflexos no aumento da criminalidade, tem provocado crescimentos acima da média e valores de facturação que chegam a surpreender os mais avisados, as associações patronais do sector da segurança privada, querem aproveitar a oportunidade e obrigar os seus trabalhadores a pagarem-lhe a renovação das frotas pessoais, os melhoramentos no chalé de praia e o colégio dos meninos, sem uma contrapartida, que seja no mÃnimo decente e justa.  Meus senhores, os clientes também são parte activa nesta negociação e apesar de não estarem presentes à mesa com os sindicatos, garantidamente que nenhum deles, gostará de saber, que os vigilantes que estão colocados nas suas instalações, tiveram aumentos salariais tipo 0 (zero), enquanto eles (clientes) viram agravadas as suas facturas, com aumentos três vezes acima da inflação, com a desculpa de que a crise é assassina.  Pensamos não ser de mais, sugerir aos empresários de segurança privada, uma reflexão mais profunda , coerente e honesta, antes do fim do tempo, porque apesar do fantasma do desemprego que tem esgrimido a torto e a direito, para instalar o pânico e manobrarem a vosso belo prazer, nunca se sabe.  Como sabem tudo evolui e hoje, graças à ciência e à tecnologia, até as formas de luta poderão ser inovadoras, ainda mais acutilantes que a própria greve. A falta de esperança que impera no sector associada ao desespero de alguns, pode muito bem ser um detonador imprevisÃvel e dar origem a situações inéditas, em termos de combate laboral, reparem que aqui apesar da vantagem, nem tudo está a vosso favor.  Pensem na coisa e disponibilizem-se para serem coerentes com o principio que deve nortear a vossa condição de gestores de segurança, afinal até estamos num negócio, em que a honestidade deve ser o principal pilar, precisamente o oposto dos traficantes de escravatura humana.  E depois já dizia o velho Caprichoso na hora da morteÂ… Meus filhosÂ…Â tenham cuidado, porque o desespero e a fome fomentam o engenho.
Carlos Moreira Editor do Portal Share
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