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O País das Injustiças PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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FracoBom 
Quarta, 12 Maio 2010 13:01

injustica.jpgNuma altura em que o governo do PS exige mais sacrifícios às famílias portuguesas, aos jovens que voltaram a conhecer os difíceis caminhos da emigração, aos estudantes que se vêem entregues a uma escola que, não fosse a sua própria luta, mais parecenças teria com uma empresa, como aliás, apregoa a direita e o próprio governo socialista, as notícias vindas a público nos últimos tempos acerca das remunerações dos gestores públicos das empresas onde o Estado tem participação, são a prova provada de que os tais sacrifícios não sendo para todos, são ainda utilizados para perpetuar a ideia de que terão de ser os mesmos a compensar a inexistência de apertos de cinto de outros. Outros para quem a palavra crise é uma ilustre desconhecida.

 

Enquanto pedem aos funcionários públicos e incentivam o sector privado a congelar salários e actualizações salariais, os responsáveis governamentais da República permitem que 22 gestores de empresas públicas e participadas pelo Estado, ou seja, por todos nós, bem como os que pertencem às chamadas “entidades reguladoras”, tenham acumulado em 2009, como se recordarão ano penoso e difícil para milhões de portugueses, dizia, 22 gestores, tenham levado para casa 18.118.974€ (dezoito milhões, cento e dezoito mil, e novecentos e setenta e quatro euros), entre remunerações fixas (salários) e remunerações variáveis (prémios, e outras regalias). E os números reportam-se, apenas, aos presidentes e responsáveis das empresas (Galp, PT, EDP, ZON, REN, CGD, TAP, ZON, RTP, CTT, apenas para dar alguns exemplos), e não a todos os elementos dos conselhos de administração. Se assim fosse, precisaríamos de uma máquina de calcular e ainda uma maior dose de paciência.

Apesar do encarecimento do custo de vida, as propostas que nos continuam a querer vender, vão todas no mesmo sentido. No sentido que nos trouxe até aqui: onerar a classe média com mais impostos, empobrecer a classe baixa, e permitir aos mais ricos, enriquecer ainda mais. Que o diga António Mexia, responsável executivo da EDP, que ganhou no ano passado, todos os meses, 466 salários mínimos nacionais, ou o equivalente a 21 salários mensais do presidente da República. Este antigo ministro das Obras Públicas de Santana Lopes arrecadou 3,1 milhões de euros, em 2009, o mesmo ano em que milhares de trabalhadores foram lançados para o desemprego, e as empresas ficaram a dever milhões à segurança social.

 

Outro exemplo paradigmático é o de Zeinal Bava, presidente da Comissão Executiva da PT. Este gestor ganhou no ano transacto, por mês, 17 vezes o salário de Cavaco Silva. No total, no conjunto das remunerações variáveis e fixas (2.525.087€), foi galardoado num valor que daria para pagar quatro escolas, prontas a acolher os seus alunos, a quase 600 mil€ cada uma. Já com o que auferiu Henrique Granadeiro, presidente do Conselho de Administração da PT, seria possível pagar mensalmente 251 salários mínimos nacionais.

 

Na Galp, outra empresa que já foi pública, mas na qual, hoje em dia, o Estado apenas tem uma participação, as injustiças e as diferenças de tratamento acumulam-se, sempre em prejuízo de quem lá trabalha. Ferreira de Oliveira, presidente executivo da Galp, é o espelho da incubadora de injustiças que marca o país. Acabou o ano de 2009 com 1.597.280€ de salários fixos e variáveis, sendo que em prémios foram mais de 500 mil€. Na Galp, os ordenados atribuídos a 20 administradores, atingiram os 6,3 milhões de euros, o que dava para atribuir um prémio de 1.500€ a mais de 4 mil trabalhadores.

 

Perante esta situação, ouvem-se vozes que se levantam contra a presença do Estado nos negócios, isto é, nestas e noutras empresas. Assim, segundo eles, estes e outros salários não teriam contestação, pois não teriam o dinheiro dos impostos dos contribuintes. O que querem fundamentalmente é um Estado mínimo, onde estas empresas, então somente privadas, pudessem explorar ainda mais à vontade os portugueses. Mas o que o país precisa é exactamente do contrário: um sector empresarial do Estado forte, capaz de acabar com estas injustiças, pela melhor e mais justa repartição da riqueza criada. E isto, só se faz com empresas na esfera estatal.

 

in: a União por: Fernando Marta

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