Portugal a caminho do “retrocesso”
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FracoBom 
Sexta, 22 Abril 2011 17:10
manifestoManifesto denúncia o “desinvestimento” em direitos adquiridos com o 25 de Abril de 1974. O documento, subscrito por seis dezenas de pessoas nascidas após Abril de 74, alerta para o risco de “retrocesso civilizacional e democrático” em Portugal. Os subscritores apontam ainda o enfraquecimento do Estado social e contestam uma sociedade assente em relações laborais precárias.

"Tendência para 'precarizar' as relações de trabalho, diminuir o investimento no emprego, enfraquecer e desmantelar o Estado social, com cortes na saúde, educação e proteção social", são problemas com que Portugal se depara e exigem outra solução além das já implementadas “políticas de austeridade”, sustenta Lídia Fernandes, uma das 60 subscritoras do texto.

Intitulado “O Inevitável é Inviável”, o documento alerta para na diluição de ideais promovidos pela Revolução dos Cravos, e com os quais os subscritores se identificam enquanto “filhos de Abril”.

Pedem alternativas que "não podem ser no sentido de um retrocesso civilizacional e democrático", acrescenta Lídia Fernandes. Os subscritores alertam também para o “risco”, "dificilmente reversível", de "um recuo grande" no que respeita a direitos económicos, cívicos e sociais adquiridos após o 25 de Abril.

Outro dos subscritores, o historiador Miguel Cardina, refere um "ataque constante, muitas vezes subliminar", a "conquistas de Abril" como o emprego, a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde. Elemento do movimento anti-austeridade Portugal Uncut, Cardina defende uma "mudança política e social" mobilizadora de toda a sociedade.

O texto foi assinado por mais de 60 pessoas, entre as quais o escritor José Luís Peixoto, a jurista Marta Rebelo, a compositora Celina Piedade e o humorista Jel dos “Homens da Luta”. Além de artistas, são signatários estudantes e desempregados, ativistas de direitos das mulheres e dos imigrantes e organizadores do protesto "Geração à Rasca".

João Labrincha, um dos organizadores da manifestação que reuniu milhares de pessoas nas ruas de Lisboa e Porto, pede mesmo “uma renovação do espírito do 25 de Abril” e defende "uma participação cívica mais ativa" para benefício da própria democracia.

Fonte: RTP
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