Ricos Tristes e Coitados
PDF
Avaliação: / 0
FracoBom 
Sábado, 21 Julho 2007 23:26

denuncia01.jpgPortugal está a transformar-se no paradigma dos novos "Ricos, Tristes e Coitados", uma espécie que já se encontrava praticamente extinta desde os finais do século dezanove, mas que se vê agora representada e pelos vistos muito bem, pelos actuais líderes do patronato português, nomeadamente das confederações do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), da Agricultura (CAP), da Indústria (CIP) e do Turismo, que num rasgo de oportunidade, tentando tirar o máximo de dividendos deste nebuloso período "Socratiano" que estamos a viver, vem exigir a alteração da Constituição da República Portuguesa, para que passem de novo a serem permitidos, os despedimentos sem justa causa ou por razões políticas e ideológicas. (Cont.)

Num documento conjunto, as quatro confederações patronais, defendem a necessidade de rever as normas do Direito do Trabalho existentes na Constituição da República, reivindicando ainda a revisão do conteúdo constitucional, que actualmente confere o direito de exercício da contratação colectiva às associações sindicais.

No mesmo documento, defendem ainda os representantes dos "mercadores portugueses", a possibilidade de despedimento por perca de confiança no trabalhador, por inaptidão deste, ou ainda a possibilidade de despedimento colectivo para renovação das empresas.

O fim do direito à greve, é outra das matérias constitucionais que estes senhores propõem que sejam revistas, usando como argumento para tal, o tentar circunscrever uma paralização "à defesa dos interesses dos trabalhadores directamente implicados" e que só possa ser usada "depois de esgotado o recurso às formas pacíficas de solução de conflitos".

Não nos surpreende esta tomada de posição da patronal portuguesa, tanto mais que nem sequer são idéias novas, pois já no século dezanove elas eram a prática corrente no mercado internacional. O que aqui nos surpreende e preocupa, é o despudor agora evidenciado, não se coibindo estes Cavalheiros do Azar, em deixar caír finalmente a máscara e virem dizer alto e com bom som, o que lhes vai na alma, proclamando o seu sonho maior, numa tentativa de regresso aos tamancos, às carroças e aos lampiões de querozene, já agora com um pide em cada canto.

Se para alguns, esta tomada de posição da patronal não passa de um conjunto de intenções inconsequentes, já para nós trabalhadores portugueses, este documento é de uma gravidade impressionante, porque faz caír completamente por terra, as poucas esperanças e alguns sonhos que ainda acalentávamos, relativamente às perspectivas de um futuro melhor, digno e sobretudo prometedor para os nossos filhos.

Ao contrário do que se faz por esse mundo fora, onde mesmo com globalização e tudo, se procura evoluir, crescer, melhorar as condições de vida das pessoas, começando por garantir e reforçar o respeito pela dignidade humana, em Portugal defende-se precisamente o contrário, numa tentativa de regresso a um passado de má memória, para as classes trabalhadoras portuguesas.

Com esta tomada de posição, os representantes da patronal, deixam caír a máscara e mostram-se exactamente como são, carentes de respeito por si próprios, insensíveis às questões sociais que até agora afirmavam defender, demonstrando finalmente que só conhecem a biblia mercantilista, vendidos que estão à moeda sonante, não tendo pejo em tentar recuperar princípios dos mercadores de escravos, dos senhores das fazendas, transformados que estão numa réplica, dos cínicos vendilhões do templo.

O simples facto destes novos "profetas da rapina" senhores "RICOS, TRISTES E COITADOS", virem agora querer impor-nos princípios, já completamente desajustados das realidades e tempos que vivemos, numa tentativa de esfrangalhar completamente as bases que garantem ainda alguma dignidade à classe trabalhadora portuguesa, é mais que motivo para nos reorganizar-mos, mobilizando-nos na defesa de leis e direitos conquistados, à custa de muita luta e sofrimento, num passado que para alguns ainda está bem presente.

Ass: Rais y Coriscos 

Share
 

Comentar

A utilização dos serviços e conteúdos ESTÃO ABRANGIDOS pelas "CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO" em vigor no PORTAL DA VIGILÂNCIA.
Os membros ou visitantes não utilizarão o Portal da Vigilância para transmitir, comunicar ou difundir de qualquer forma, opiniões ou conteúdos ilegais, difamatórios, de lesa terceiros ou que de qualquer outro modo, atentem contra os valores do Portal ou a dignidade das pessoas.
Os comentários inseridos, são publicados com edição prévia (moderados), mas serão sempre da exclusiva responsabilidade dos seus autores.
A administração reserva-se ao direito de eliminar os comentários que não cumpram as regras das condições de utilização do Portal.
-- A Administração do Portal da Vigilância


Código de segurança
Actualizar