| Trabalho Precário Contradiz P.Ministro |
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AS CONTRADIÇÕES DO PODER
Ontem foi dia de festa lá para os lados do poder, porque alguém transmitiu ao Primeiro Ministro, que feitas as contas entre o deve e haver do emprego em Portugal, sobravam cerca de 130.000 novos postos de trabalho, o que equivalia a um sucesso que valia a pena proclamar, até porque se aproximam datas importantes, daí ser de todo o interesse, insistir em anúncios que fazem manchete.
Hoje como que a descolorir o estandarte empunhado ontem, surge a chamada à realidade, a oportuna contradição, com as centrais sindicais a travarem o entusiasmo do nosso PM, porque aquele se esqueceu de completar as novidades e tal com anunciou esses números fantásticos, também deveria ter dito ao país, que os mesmos só foram possíveis, graças ao alarmante crescimento do trabalho precário, nesta terra de quimeras.
Exemplo disso mesmo tê-mo-lo nós na Vigilância Privada, um sector onde os recibos verdes já são mais que vulgares em algumas empresas, os contratos de teor incompreensível e ilegal abundam, a resolução de outros está ameaçadoramente sobre a cabeça do vigilante, como se de uma espada de Democles se trate, aterrorizando-o com a perspectiva do fim do posto, porque se o cliente não renovar o negócio com a empresa, provoca a resolução do contrato do vigilante.
Vejam-se os dados do último relatório de Segurança Privada, onde se refere que apesar da facturação da empresas ter crescido exponencialmente e o efectivo ter aumentado para mais de 38.000 vigilantes, foram admitidos pelas empresas, menos dois mil vigilantes que no ano anterior.
Alguém que nos explique a ver se percebemos, (+ com + igual a -?). Mais facturação, mais vigilantes no efectivo global e menos vigilantes admitidos pelas empresas, será que já temos Robot´s no sector, ou vigilantes a trabalhar o dobro de horas senão mesmo o triplo? afinal parece que voltamos ao século passado, não será? perguntar não ofende... mas assim... melhores, só as estatísticas.
Com o novo código do trabalho que abre portas aos mais diversos arbítrios e com o afã de dar todas as condições aos investidores, que se perfilam neste oásis de mais valias a granel, como se fossem a única parte interessada no negócio, criaram-se as condições para fazer disparar a precaridade no sector laboral e ela, está aí bem presente, sob as mais diversas formulas.
Veja-se por exemplo o modelo de contratação que a portugal telecom, vai implementar cá em cima, exactamente no mesmo local, onde ontem o nosso P.M., em cerimónia especial, alardeava aquele efémero sucesso.
Por muito que tentemos olhar estes cenários, de forma mais fria e objectiva, não é facil compreender a necessidade de certos desperdícios, quando todos sabemos que a cultura empresarial vigente ainda vem do tempo da calendias gregas, daí os tais números milagrosos de que o poder tanto gosta de exibir, estarem sujeitos à mais realística contradição, porque temos logo aí a resposta mais básica e oportuna "não é a tapar o sol com a peneira, que se resolvem os problemas deste país".
Sejamos honestos, pelo menos de vez enquando. Todos percebemos que pelas posições e responsabilidades políticas que se tem, é importante funcionar como elemento dinamizador, no sentido de elevar a anímica deste país, que desgraçadamente continua tão em baixo, mas a fazê-lo, não podemos esquecer que no essencial, temos de ser absolutamente coerentes com a realidade.
Porque a não ser assim, somos logo confrontados com o mais duro dia a dia dos últimos anos, independentemente dos foguetes que se deitam e por muito engalanados que sejam esses anúncios, os mesmos são incapazes de disfarçar as injustiças e assimetrias, cada vez mais cavadas na sociedade portuguesa, porque essa é uma realidade visivel, provocada entre outros, pelo trabalho precário que está imparável em Portugal.
Zé do Norte / Membro do Portal
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