| A CRISE de Cavaco Silva |
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ALIMENTAMOS OS FILHOS COM DISCURSOS
"Não escondo que vivemos tempos difíceis. Muitas famílias têm dificuldades em pagar os empréstimos. Há idosos para quem a reforma mal chega para as despesas." O retrato não é bonito mas é a "realidade", diz o Presidente da República. O presidente fala em futuro incerto, lança apelos à mobilização geral, mas esquece que é muito difícil mobilizar quem passa mal, muito mal e até passa fome, mesmo que escondida, que é a pior de todas. "O que é vivido pelos cidadãos não pode ser iludido pelos agentes políticos", referiu o Presidente, que deixou ainda um aviso para que o Estado "seja rigoroso no uso dos dinheiros públicos" e para que "os impostos sejam justos e razoáveis". Quase que nos vinham as lágrimas aos olhos de tão comovidos que ficamos, ao ouvir estas palavras, para de seguida nos lembrar-mos dos inúmeros vigilantes que nos fazem chegar a informação, de que tiveram de entregar a casa, porque não a podiam pagar, ou que antes do final do mês já estão sem dinheiro para as despesas domésticas, havendo alguns que já nem levam o saco para o posto, por não terem nada para lhe colocar dentro. Esta é que é a realidade, mesmo recusando o princípio do miserabilismo.
As
palavras do presidente da república, a serem sinceras, pecam pela
iniocência, que julgamos não ser o caso, porque esta crise inventada
seja lá por quem fôr, é precisamente aquela que interessa a muito gente
importante, do nosso sistema económico. Vejam-se as mais recentes alterações ao código do trabalho por exemplo. Só na Segurança Privada, já se praticam toda a série de arbitrariedades e injustiças, a precaridade agrava-se assustadoramente, a coação é a nova arma utilizada por alguns lacaios, para impôr escalas de serviço mais desumanas, dezasseis horas dia sim dia não, mas isso ninguém vê, não interessa para os discursos, estamos em período pré-eleitoral. O governo anda ocupado com a sua própria propaganda, o presidente da república diz que se preocupa, entretanto a situação das famílias está cada vez mais complicada, algumas em desespêro total, mas o que é preciso é fazer bons discursos, muita propaganda política, mesmo que para isso se aproveite a crise, fazendo-se alarde de supostas preocupações, "enquanto nós alimentamos os filhos com discursos" Share
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