A Propósito da Crise Financeira
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FracoBom 
Sexta, 17 Outubro 2008 11:35
Sócrates Filantrópico

debate.gifOs banqueiros, de três em três meses, anunciavam ao povo que tinham auferido lucros de milhões. Os salários em queda, as pequenas e médias empresas estranguladas pelos impostos, o desemprego a subir em flecha, os salários a descerem para níveis indignos e os banqueiros subiam como balões.
Para cúmulo, alguns políticos desalinhados, diziam-nos que os bancos quase não pagavam impostos, o que era uma imoralidade sem nome, porque para aliviar os banqueiros, o Governo esmagava os trabalhadores por conta doutrem e os pequenos e médios empresários.

Eu tenho tudo contra os banqueiros e sobretudo contra os gestores das empresas públicas que fixam a si próprios salários milionários. Aprendi com o insuspeito comendador Berardo que os lucros dos bancos e das seguradoras eram empolados até ao absurdo, para os gestores receberem autênticas fortunas de prémios. Soube pelo comendador Berardo que o senhor Jardim Gonçalves subiu tanto, que já não cabia num automóvel, tinha de se deslocar em avião privado. E que ganhou tanto dinheiro que para se sentir seguro, gasta uma fortuna em segurança privada.
Soube também que um filho de Jardim Gonçalves recebeu do BCP uma fortuna, que depois não pagou e tudo se resolveu com uma palmadinha nas costas e mais uma parcela no crédito malparado do Millennium/BCP.
O senhor Paulo Teixeira Pinto ganhou tanto dinheiro no BCP que hoje se dá ares de milionário excêntrico e publica poemas disfarçados de teoremas e de numeração romana. Os antigos administradores do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Depósitos, quando partem para outra, ficam com reformas milionárias. Uma reforma mensal desses nababos equivale a mil reformas dos nossos velhos, que balançam entre a miséria e a morte.
Os bancos, dizem os entendidos, estão mal. Se estão mal, que fechem as portas, quanto mais depressa melhor. Se uma oficina de automóveis fecha quando está mal, se uma pequena, média ou grande indústria fecha quando está mal e os seus trabalhadores vão para o desemprego, se quando os negócios correm mal, os empresários perdem tudo e, se tiverem coragem e condições partem para outra, não compreendo nem aceito que o ministro das Finanças dê uma conferência de imprensa, no domingo, para dizer aos portugueses que vai "garantir" 30 mil milhões de euros aos bancos com sede em Portugal. Considero isso um roubo aos erário público. Considero isso um insulto aos milhares de empresários que fecharam as suas empresas, muitas vezes porque os bancos os estrangularam. O Estado não pode ser "fiador" dos banqueiros. Nem de 30 mil milhões de euros nem de nada. Eles que se virem. E se não conseguirem, que fechem as portas.
Também não aceito que o Primeiro-Ministro José Sócrates venha dizer, com ar inocente, que garante aos portugueses todos os depósitos que têm nos bancos. Com o dinheiro de quem, senhor Primeiro-Ministro? Se o Ministério Público e a Polícia Judiciária começarem a investigar as contas e os bens dos políticos e gestores que desde o 25 de Abril de 1974 se amesendaram no Poder, vão encontrar muitos milhares de milhões. Se forem expropriados, sem forem responsabilizados, se forem julgados, estou de acordo. Se o senhor Primeiro-Ministro quiser pagar do bolso dele ou do bolso dos membros do Governo o dinheiro dos depósitos dos portugueses, também estou de acordo. Mas se assumir essa responsabilidade com o dinheiro do Estado, estamos perante uma trafulhice sem nome. Sócrates, afinal, promete roubar aos pobres para dispensar aos banqueiros o dinheiro dos nossos depósitos e que eles esbanjaram.
Os portugueses têm a obrigação de saber que o dinheiro que o Governo gere, é dos contribuintes, é de todos nós. E esse dinheiro não pode servir para pagar os vícios dos banqueiros, por muito que Sócrates seja seu empregado. Os tempos não estão para brincadeiras. O Primeiro-Ministro, nem a brincar deve dizer que garante os depósitos bancários. Quem tem de fazê-lo são os banqueiros, nem que tenham de pagar com língua de palmo.
Autor: Artur Queiroz -  Enviado por: Aeroportuário
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