Crise: Deputados que passam fome
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FracoBom 
Segunda, 04 Outubro 2010 11:53

a_minha_tribuna_180Corre nos corredores da Assembleia da República que o deputado do PS Ricardo Gonçalves, exige a abertura da cantina da Assembleia "à hora do jantar", para que os membros daquela casa com fome e que se sentem atingidos na carteira pelas recentes medidas de austeridade, possam forrar o estômago ao custo de cantina social, porque segundo o mesmo declarou recentemente, "já quase que não tem dinheiro para comer".

Em declarações ao CM o mesmo Ricardo Gonçalves queixou-se de que, além de uns míseros 3700 euros de vencimento que aufere, apenas recebe mais "60 euros de ajudas de custos por dia" para "viagens, alojamento e comer fora".

Efectivamente o homem está numa situação bem complicada. Com um salário tão miserável, e uma ajudas de custo diárias a raiar o ridículo, o deputado que se tornou famoso, entre outros,  por gamar gravadores aos jornalistas,  tendo já sido apodado de palhaço por uma correlegionária, para além de estar envolvidado em casos mais promíscuos e pouco aclarados, sente-se afectado com as últimas medidas do governo do seu próprio  partido e lança este grito de fome, que lhe assenta miseravelmente bem.

Realmente a pior calamidade que pode atingir um país é ter Deputados com fome. Que uma boa parte da população se veja grega para fazer a sopa diária e dar de comer aos filhos, é tolerável, que 12% da população trabalhadora esteja no desemprego, não é nada demais, que uma larga percentagem dos desempregados não tenham qualquer  apoio social para lhes pagar o jantar, também não é preocupante e até os 10,00 € mensais, do abono de família que algumas famílias deixaram de receber com as novas medidas, são aceitáveis.

O intolerável, o grave, o preocupante, é termos Deputados com fome a reclamar a abertura da cantina da Assembleia para poderem jantar, uma vez que aquilo que ganham, não lhe chega para pagar diariamente o jantar no "Gambrinos" ou noutro cinco "talheres" semelhante, como qualquer cidadão pertencente ao grupo dos mais previlegiados da nossa sociedade.

Por isso talvez se justifique no próximo PEC, que o Governo poupe ainda mais, cortando nos restantes apoios sociais  ou nas pensões de velhice, cujo valor médio já anda nas três centenas de euros mensais e assim se possa dar de comer aos Deputados que passam fome.

Já agora, o que dirão as agências de Rating quando souberem disto? Será que vamos ser confrontados com nova subida de juros? Essa não lembra nem ao Diabo, o melhor é encher a barriga ao homem.

Zé do Norte

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